Nome Químico: Lauril éter ( 2 EO ) sulfato de sódio
Nome em português : Lauril éter sulfato de sódio
INCI Name: Sodium Laureth 2 Sulfate - CAS Number: 68891-38-3
Origem: Sintético
O Lauril Éter Sulfato de Sódio a 27%, conhecido internacionalmente como Sodium Laureth Sulfate (SLES), é um dos tensoativos aniônicos mais utilizados na indústria cosmética, de higiene pessoal e de limpeza doméstica. Trata-se de uma solução aquosa contendo aproximadamente 27% de matéria ativa, sendo o restante composto principalmente por água e pequenas quantidades de sais e subprodutos do processo de fabricação. O ingrediente é amplamente empregado em formulações líquidas por apresentar excelente capacidade de limpeza, formação de espuma abundante e solubilização de gorduras, características que explicam sua grande presença em shampoos, sabonetes líquidos, géis de banho e detergentes. O INCI Name do ingrediente é Sodium Laureth Sulfate, enquanto seu CAS Number mais utilizado é 68891-38-3, embora outros números CAS também possam aparecer dependendo do grau de etoxilação.
A origem química do Lauril Éter Sulfato de Sódio está associada aos álcoois graxos de cadeia C12 a C14, que normalmente são derivados do óleo de coco ou do óleo de palma, matérias-primas naturais ricas em cadeias lipídicas adequadas para a produção de tensoativos. Esses álcoois graxos passam inicialmente por um processo industrial denominado etoxilação, no qual moléculas de óxido de etileno são adicionadas à cadeia graxa formando um éter etoxilado. Posteriormente ocorre a sulfatação, etapa em que a molécula recebe um grupo sulfato, sendo neutralizada com hidróxido de sódio para formar o sal de sódio correspondente. O resultado final é um tensoativo aniônico com propriedades anfifílicas bem definidas, ou seja, com uma porção hidrofóbica que possui afinidade por óleos e gorduras e uma porção hidrofílica que possui afinidade por água. Essa dualidade estrutural permite que a molécula reduza a tensão superficial da água e promova a emulsificação de sujeiras oleosas.
Fisicamente, o Lauril Éter Sulfato de Sódio a 27% apresenta-se como um líquido viscoso, incolor a levemente amarelado, com odor muito suave ou praticamente inexistente. Sua solubilidade em água é completa, formando soluções transparentes ou ligeiramente opalescentes dependendo da formulação. O pH da solução comercial normalmente encontra-se na faixa entre 7 e 9, podendo variar de acordo com o fabricante. Essa característica permite que o ingrediente seja facilmente incorporado em formulações cosméticas líquidas sem necessidade de processos complexos de dissolução. O produto também apresenta excelente estabilidade química quando armazenado em condições adequadas, longe de temperaturas muito elevadas ou exposição direta à luz.
A principal função do Lauril Éter Sulfato de Sódio em formulações cosméticas é atuar como agente detergente e espumante, promovendo a remoção de oleosidade, partículas de sujeira e resíduos presentes na pele e no cabelo. Ao reduzir a tensão superficial da água, o tensoativo facilita a formação de micelas, estruturas microscópicas capazes de encapsular gorduras e transportá-las para a fase aquosa, permitindo que sejam removidas durante o enxágue. Esse mecanismo explica a eficácia do ingrediente em produtos de limpeza. Além disso, o SLES apresenta excelente capacidade de formação de espuma abundante e estável, característica muito valorizada pelo consumidor, pois a espuma está culturalmente associada à sensação de limpeza e eficácia do produto.
As principais aplicações cosméticas do Lauril Éter Sulfato de Sódio incluem : shampoos capilares, sabonetes líquidos, géis de banho, espumas de limpeza facial, produtos de higiene íntima e, em algumas formulações, também pode aparecer em cremes dentais ou produtos de higiene bucal. Em produtos de limpeza doméstica, o ingrediente é utilizado em detergentes líquidos para louças, limpadores multiuso, sabões líquidos para roupas e diversos tipos de desengordurantes. Em formulações cosméticas, o SLES normalmente atua como tensoativo primário, sendo frequentemente combinado com tensoativos secundários para melhorar a suavidade da formulação. Entre os ingredientes mais utilizados em associação estão a Cocamidopropyl Betaine, Amida 90 e Decyl Glucoside, que contribuem para melhorar a estabilidade da espuma e reduzir o potencial irritante do sistema.
A dosagem de aplicação do Lauril Éter Sulfato de Sódio depende do tipo de formulação e do nível de detergência desejado. Em shampoos convencionais, a concentração de SLES 27% geralmente varia entre 10% e 30% da formulação, podendo ser reduzida para 5% a 15% em shampoos mais suaves ou infantis. Em sabonetes líquidos e géis de banho, a dosagem costuma situar-se entre 5% e 20%, enquanto em detergentes líquidos para louças a concentração pode variar entre 20% e 40%, dependendo da potência de limpeza desejada. Limpadores domésticos geralmente utilizam o ingrediente em concentrações entre 5% e 15%. Essas porcentagens referem-se ao produto comercial a 27% de matéria ativa e não ao teor de ativo puro. Em formulações modernas de cosméticos, especialmente aquelas voltadas para maior suavidade cutânea, é comum reduzir a concentração de sulfatos e complementar o sistema com tensoativos anfotéricos ou não iônicos.
Em relação às certificações de cosméticos naturais e orgânicos, o Lauril Éter Sulfato de Sódio apresenta limitações importantes. Devido ao fato de ser obtido por processo de etoxilação utilizando óxido de etileno, o ingrediente geralmente não é aceito por certificações de cosmética natural como COSMOS e ECOCERT. Essas certificações priorizam matérias-primas obtidas por processos considerados mais naturais ou menos agressivos ao meio ambiente. Assim, o SLES é classificado como ingrediente sintético dentro desses sistemas de certificação. No entanto, ele é permitido em cosméticos convencionais e amplamente utilizado na indústria global de cuidados pessoais, sendo considerado seguro quando empregado nas concentrações adequadas.
Dentro do conceito de clean beauty, a presença do Lauril Éter Sulfato de Sódio é motivo de debate. Algumas marcas continuam utilizando o ingrediente devido à sua eficiência e segurança quando corretamente formulado, enquanto outras preferem substituí-lo por tensoativos mais suaves e com maior índice de naturalidade, como glucosídeos derivados de açúcares ou tensoativos derivados de aminoácidos. Ainda assim, do ponto de vista regulatório, o SLES é considerado seguro pelas principais autoridades de avaliação toxicológica quando utilizado dentro dos limites recomendados.
Tabela comparativa técnica entre SLES, SLS e Sodium Cocoyl Isethionate (SCI)
| Propriedade | SLES - Lauril Éter Sulfato de Sódio | SLS - Lauril Sulfato de Sódio | SCI - Sodium Cocoyl Isethionate |
|---|
| INCI Name | Sodium Laureth Sulfate | Sodium Lauryl Sulfate | Sodium Cocoyl Isethionate |
| CAS Number | 68891-38-3 | 151-21-3 | 61789-32-0 |
| Classe química | Tensoativo aniônico etoxilado | Tensoativo aniônico sulfato | Tensoativo aniônico isetionato |
| Origem da cadeia graxa | Álcool laurílico (coco ou palma) | Álcool laurílico (coco ou palma) | Ácidos graxos do óleo de coco |
| Processo de produção | Etoxilação + sulfatação | Sulfatação direta do álcool graxo | Reação de ácido graxo com ácido isetiónico |
| Forma comercial | Líquido viscoso (27%ou 70% ativo) | Pó, pasta ou solução | Pó, agulhas ou flakes sólidos |
| Matéria ativa típica | 27 ou 70% | 90 -95% | 80- 85% |
| Capacidade de espuma | Muito alta | Muito alta | Alta, espuma cremosa |
| Tipo de espuma | Abundante e estável | Espuma volumosa | Espuma densa e cremosa |
| Poder detergente | Alto | Muito alto | Médio |
| Suavidade cutânea | Moderada | Baixa (mais irritante) | Alta (muito suave) |
| Potencial irritante | Médio | Alto | Baixo |
| Aplicações principais | Shampoo, sabonete líquido, detergente | Shampoo forte, detergentes | Syndet, shampoo sólido, sabonete suave |
| Dosagem típica em shampoo | 10 -30% | 5-20% | 10-60% (em barras) |
| Dosagem em sabonete líquido | 5-20% | 3-15% | 5-0% |
| Uso em shampoo sólido | Raro | Raro | Muito comum |
| Compatibilidade com anfotéricos | Excelente | Boa | Excelente |
| Compatibilidade com não iônicos | Boa | Boa | Muito boa |
| pH típico de formulação | 5 -7 | 5-7 | 5-6 |
| Biodegradabilidade | Boa | Boa | Muito boa |
| Aceitação COSMOS/ECOCERT | Não permitido | Não permitido | Pode ser permitido dependendo do grau de processamento |
| Índice de naturalidade | Baixo | Baixo | Médio a alto |
| Tendência em clean beauty | Moderada (cada vez menos usado) | Baixa aceitação | Alta aceitação |
| Sensorial no cabelo | Limpeza forte | Limpeza muito agressiva | Limpeza suave e condicionante |
| Uso em cosméticos naturais | Geralmente não aceito | Não aceito | Frequentemente aceito em sistemas syndet |
| Custo industrial | Baixo | Muito baixo | Mais alto |
| Impacto ambiental | Médio | Médio | Mais favorável |
| Tipo de produto típico | Shampoo convencional | Detergentes e limpeza forte | Syndet premium |
Armazenagem: Mantenha o produto na embalagem original, bem fechada, em local fresco, seco e ao abrigo de luz e afastado de fontes de calor. Evitar armazenar o produto próximo de produtos fortemente ácidos ou alcalinos, assim como fortemente oxidantes.
Advertências: Manter o produto longe de fogo e de fontes de calor. Manter fora do alcance de crianças e animais. Não ingerir. Em caso de contato com os olhos, enxaguar abundantemente com água e procurar atendimento médico. Produto destinado ao preparo de cosméticos, perfumes, produtos de higiene e domissanitários. Não aplicar este produto puro sobre a pele.
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