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Gluconolactona : 01/11/2027
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Gluconolactona : 01/11/2027

INCI: Gluconolactone - Validade: : 01/11/2027 Gluconolactona é um ingrediente de renovação progressiva associado ao cuidado e à hidratação da pele.

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Gluconolactona – Características, Propriedades, Aplicações e Dosagem de Uso

A gluconolactona é uma matéria-prima multifuncional utilizada em formulações cosméticas principalmente por suas propriedades de condicionamento da pele, ação quelante, capacidade umectante e atuação como agente de renovação superficial suave. Seu nome segundo a nomenclatura internacional de ingredientes cosméticos é INCI: Gluconolactone, e seu número de identificação química é CAS: 90-80-2. Quimicamente, também é conhecida como glucono-delta-lactona ou D-glucono-1,5-lactona e corresponde a uma lactona derivada do ácido glucônico. Sua fórmula molecular é C₆H₁₀O₆ e sua massa molecular é aproximadamente 178,14 g/mol. Na forma comercial pura, normalmente se apresenta como um pó cristalino branco ou quase branco, fino, de odor praticamente imperceptível e com excelente solubilidade em água. A gluconolactona pode ser obtida a partir da glicose por processos de oxidação e fermentação, sendo comum a utilização de matérias-primas vegetais como fonte inicial de carboidratos. Após essas etapas, o material passa por processos de purificação, concentração e cristalização até a obtenção do ingrediente cosmético final. Por esse motivo, é uma matéria-prima bastante interessante para formulações modernas que buscam ingredientes obtidos por processos biotecnológicos e fontes renováveis, embora a origem específica de cada produto deva sempre ser confirmada por meio da documentação técnica fornecida pelo fabricante.

Uma das características físico-químicas mais importantes da gluconolactona é sua elevada solubilidade em água, o que facilita consideravelmente sua incorporação em séruns, tônicos, géis, loções, emulsões e outras formulações que apresentem fase aquosa. Quando adicionada à água, a gluconolactona sofre gradualmente um processo de hidrólise e forma ácido glucônico, provocando uma acidificação progressiva do sistema. Essa propriedade é extremamente importante durante o desenvolvimento da formulação, pois o pH medido imediatamente após a fabricação pode não representar o valor definitivo do produto. À medida que ocorre a conversão da gluconolactona em ácido glucônico, o pH pode continuar diminuindo até que o sistema alcance seu equilíbrio. Dessa forma, o formulador deve evitar ajustes excessivos logo após a incorporação da matéria-prima e realizar novas medições depois do período de estabilização. Esse acompanhamento é especialmente importante em formulações que contenham conservantes, polímeros espessantes, emulsificantes ou ativos cuja estabilidade e desempenho estejam diretamente relacionados ao pH.

Na cosmética, a gluconolactona é principalmente conhecida como um PHA, sigla para Polyhydroxy Acid, ou poli-hidroxiácido. Os PHAs pertencem à grande família dos hidroxiácidos e apresentam capacidade de favorecer a renovação das camadas mais superficiais da pele. Entretanto, sua estrutura molecular proporciona um comportamento geralmente mais suave quando comparado a alguns alfa-hidroxiácidos tradicionais, como o ácido glicólico. Essa característica faz com que a gluconolactona seja particularmente interessante em produtos destinados a peles delicadas, sensíveis, secas ou maduras, assim como em formulações desenvolvidas para consumidores que desejam renovação cutânea gradual, mas apresentam menor tolerância a produtos esfoliantes mais intensos. A ação mais progressiva do ingrediente contribui para melhorar a aparência da textura da pele, promover maior suavidade e favorecer uma superfície visualmente mais uniforme e luminosa.

Além de sua ação como PHA, a gluconolactona também apresenta propriedades umectantes relacionadas à presença de diversos grupos hidroxila em sua estrutura química. Essa característica favorece sua interação com a água e contribui para o desenvolvimento de formulações que combinam renovação superficial e hidratação. Isso é particularmente interessante porque permite criar cosméticos que não apresentam apenas uma proposta esfoliante, mas também um posicionamento voltado para conforto, suavidade e manutenção da aparência saudável da pele. Dessa forma, ela pode ser associada a umectantes clássicos, como glicerina, propanediol, pantenol e ácido hialurônico, criando sistemas mais equilibrados e adequados ao uso frequente.

Entre as principais aplicações cosméticas da gluconolactona estão os séruns faciais, tônicos, essências, géis de tratamento, hidratantes, cremes faciais, máscaras, produtos anti-idade e formulações de uso noturno. Em séruns, pode ser utilizada para desenvolver produtos com proposta de renovação progressiva da textura da pele, luminosidade e hidratação. Em tônicos e essências, permite criar formulações leves e aquosas voltadas para o cuidado diário, especialmente quando se busca uma renovação mais delicada. Em géis faciais, pode ser utilizada em produtos destinados a peles oleosas, opacas ou com textura irregular, enquanto em cremes e loções pode complementar sistemas de hidratação e condicionamento. Em produtos anti-idade, pode ser combinada com ativos antioxidantes, umectantes e reparadores, desde que a compatibilidade entre os ingredientes e o pH final sejam devidamente avaliados.

Nos produtos corporais, a gluconolactona pode ser incorporada em loções, cremes e géis destinados a áreas ressecadas ou com textura áspera, como braços, pernas, cotovelos e joelhos. Sua ação de renovação superficial suave pode contribuir para uma aparência mais uniforme e uma sensação de pele mais lisa. Também pode ser utilizada em produtos destinados à pele seca, opaca ou com necessidade de renovação gradual. Em formulações corporais, é possível associá-la a ingredientes emolientes, manteigas vegetais, óleos, umectantes e ativos restauradores, permitindo o desenvolvimento de produtos que unem hidratação e renovação da superfície cutânea. Quando utilizada em concentrações adequadas, pode ser especialmente interessante em cosméticos destinados ao uso contínuo e à manutenção da textura da pele.

A gluconolactona também apresenta aplicações em produtos capilares, desodorantes e outras formulações de cuidados pessoais. Em produtos capilares, pode participar do sistema como agente condicionante e auxiliar na organização do pH da formulação, principalmente em produtos em que uma faixa mais ácida é desejável. Em desodorantes, pode ser incorporada em sistemas de perfil ácido e em formulações multifuncionais. Além disso, apresenta função reconhecida como agente quelante, possuindo capacidade de interagir com determinados íons metálicos presentes na formulação. Essa propriedade pode auxiliar na estabilidade de alguns sistemas, reduzindo a participação de metais em determinadas reações de oxidação ou alteração de cor. Entretanto, sua capacidade quelante depende da concentração, do pH e da composição completa do produto, de modo que não deve ser considerada uma substituta universal para qualquer agente quelante utilizado em cosméticos.

A dosagem de aplicação da gluconolactona deve ser escolhida de acordo com o objetivo do produto. Para formulações em que se deseja principalmente condicionamento da pele e uma contribuição mais suave para hidratação e textura, concentrações na faixa aproximada de 2% a 5% podem ser consideradas como referência de desenvolvimento. Quando o objetivo principal é explorar sua ação como PHA e promover renovação superficial mais evidente, concentrações em torno de 5% a 10% podem ser avaliadas. Já quando utilizada principalmente com finalidade quelante, concentrações significativamente menores, aproximadamente entre 0,2% e 0,6%, podem ser estudadas. Essas faixas devem ser consideradas referências gerais, sendo sempre necessário consultar a documentação técnica da matéria-prima utilizada, uma vez que diferentes fornecedores podem apresentar particularidades de pureza, especificação e recomendação de uso.

Embora existam formulações cosméticas comerciais contendo concentrações superiores de gluconolactona, uma dosagem mais elevada não significa necessariamente um produto melhor ou mais eficiente. O desempenho final depende de diversos fatores, incluindo pH, veículo, tempo de contato com a pele, frequência de uso, presença de outros ativos, sistema conservante e características do público-alvo. Para um cosmético facial voltado para uso frequente e renovação suave, concentrações entre 2% e 5% podem ser um ponto inicial interessante, enquanto formulações especificamente desenvolvidas como séruns ou tratamentos com PHA podem trabalhar com concentrações entre 5% e 10%, desde que sejam realizados testes apropriados de segurança, estabilidade e compatibilidade cutânea. À medida que a concentração aumenta, a avaliação do pH e da tolerabilidade torna-se ainda mais importante.

Em relação ao processo de fabricação, por apresentar elevada solubilidade em água, a gluconolactona pode ser adicionada diretamente à fase aquosa ou previamente dissolvida em uma porção da água da formulação. A pré-dissolução pode facilitar sua distribuição e garantir maior homogeneidade, principalmente em produtos de maior viscosidade. A temperatura e o momento de incorporação devem seguir as orientações fornecidas pelo fabricante da matéria-prima. Após sua adição, recomenda-se acompanhar a variação do pH ao longo do período de estabilização, já que sua hidrólise progressiva em ácido glucônico pode reduzir o valor do pH. Também é importante verificar sua compatibilidade com espessantes, emulsificantes, conservantes, fragrâncias e outros ativos presentes no produto, especialmente quando se utilizam polímeros cuja viscosidade é dependente do pH.

Outro aspecto importante é diferenciar a gluconolactona pura de sistemas conservantes comerciais que utilizam esse ingrediente em combinação com outras substâncias. Existem sistemas cujo INCI apresenta, por exemplo, Gluconolactone (and) Sodium Benzoate. Nesse caso, trata-se de uma mistura conservante formulada especificamente para proporcionar proteção microbiológica ao produto. A presença da gluconolactona nesse tipo de sistema não significa que a gluconolactona isolada deva ser automaticamente classificada como um conservante de amplo espectro. Portanto, antes de definir a concentração de uso e a finalidade da matéria-prima, é necessário verificar se o produto adquirido corresponde à gluconolactona pura ou a um blend conservante que contém gluconolactona em sua composição.

A possibilidade de combinação com outros ingredientes aumenta ainda mais a versatilidade da gluconolactona. Em formulações hidratantes, ela pode ser associada a glicerina, propanediol, pantenol e ácido hialurônico. Em séruns faciais, pode ser trabalhada com niacinamida e outros ativos voltados à manutenção da barreira cutânea, desde que o pH final da formulação seja cuidadosamente planejado. Em produtos para pele madura, pode complementar sistemas contendo antioxidantes e ingredientes destinados à melhora da textura, hidratação e aparência geral da pele. Dessa forma, pode integrar tanto formulações minimalistas quanto produtos mais sofisticados, desde que a estabilidade do sistema seja adequadamente comprovada.

Do ponto de vista comercial e formulativo, a gluconolactona se destaca por reunir em uma única matéria-prima diferentes propriedades interessantes para o desenvolvimento de cosméticos contemporâneos. Ela pode contribuir para hidratação, condicionamento, renovação gradual, melhora da textura e uniformidade da superfície cutânea. Sua classificação como PHA permite desenvolver produtos com uma proposta de renovação mais delicada, diferenciando-a dos tradicionais peelings formulados com ácidos de ação mais intensa. Por essa razão, é especialmente interessante para linhas voltadas para pele sensível, madura, seca ou que necessite de renovação progressiva e controlada.

Em resumo, a gluconolactona apresenta INCI Gluconolactone e CAS 90-80-2, normalmente possui aparência de pó cristalino branco ou quase branco e apresenta excelente solubilidade em água. Suas principais funções cosméticas incluem condicionamento da pele, ação umectante, atividade quelante e renovação superficial suave característica dos PHAs. Entre suas aplicações estão séruns, tônicos, géis, máscaras, cremes, hidratantes, produtos anti-idade, loções corporais, produtos capilares e desodorantes. Como referência de desenvolvimento, podem ser consideradas concentrações de aproximadamente 2% a 5% para condicionamento da pele, 5% a 10% em produtos com proposta de renovação por PHA e 0,2% a 0,6% quando utilizada principalmente como agente quelante. A concentração definitiva deve sempre respeitar a documentação técnica do fornecedor e ser validada por meio de testes apropriados no produto acabado.

Sugestão de Formulação – Sérum Facial Hidratante e Renovador com Gluconolactona 5%

Uma aplicação interessante para demonstrar a versatilidade da gluconolactona é um sérum facial aquoso com 5% do ingrediente. Nessa concentração, é possível trabalhar uma proposta de renovação superficial suave associada à hidratação e melhora da textura da pele. A formulação pode combinar a gluconolactona com glicerina, propanediol, pantenol e ácido hialurônico, equilibrando a ação renovadora com ingredientes voltados para umectação e condicionamento. A goma xantana é utilizada para proporcionar uma viscosidade leve e agradável, enquanto o sistema conservante deve apresentar boa compatibilidade com o pH ácido do produto.

Fase Ingrediente INCI Quantidade (%)
A Água deionizada Aqua q.s.p. 100
A Glicerina Glycerin 3,00
A Propanediol Propanediol 3,00
A Goma Xantana Xanthan Gum 0,30
B Gluconolactona Gluconolactone 5,00
B D-Pantenol Panthenol 1,00
B Ácido Hialurônico Sodium Hyaluronate 0,10
C Geogard ECT Benzyl Alcohol (and) Salicylic Acid (and) Glycerin (and) Sorbic Acid 0,80–1,00
D Solução de Hidróxido de Sódio a 10% Sodium Hydroxide (and) Aqua q.s.

Modo de Preparo

Adicionar a água deionizada ao recipiente principal. Em um recipiente separado, dispersar a goma xantana na glicerina até obter uma mistura uniforme e livre de grumos. Adicionar essa dispersão lentamente à água sob agitação moderada e aguardar a completa hidratação da goma. Acrescentar o propanediol e homogeneizar. Em seguida, adicionar gradualmente a gluconolactona, mantendo a agitação até sua completa dissolução. Incorporar o D-pantenol e posteriormente o ácido hialurônico, respeitando o tempo necessário para sua completa hidratação de acordo com o grau utilizado. Após a homogeneização, adicionar o sistema conservante e misturar adequadamente.

O pH pode ser inicialmente trabalhado em uma faixa aproximada de 3,8 a 4,2, considerando a proposta de um sérum facial contendo PHA. Entretanto, devido à hidrólise gradual da gluconolactona em ácido glucônico, recomenda-se não realizar um ajuste definitivo imediatamente após a fabricação. O ideal é medir o pH, deixar a formulação estabilizar e realizar uma nova medição após aproximadamente 24 horas. Caso seja necessário elevar o pH, pode-se utilizar uma solução diluída de hidróxido de sódio, adicionada lentamente e em pequenas quantidades. O pH definitivo deve sempre considerar a estabilidade dos demais ingredientes, o sistema conservante e a segurança do produto final.

O resultado esperado é um sérum leve, homogêneo e de fácil espalhabilidade, com proposta de hidratação e renovação superficial progressiva. A combinação de 5% de gluconolactona com glicerina, propanediol, pantenol e ácido hialurônico proporciona uma formulação equilibrada, na qual a ação do PHA é acompanhada por ingredientes voltados para hidratação e conforto da pele. A formulação apresentada deve ser considerada uma sugestão de desenvolvimento e necessita passar por testes de estabilidade físico-química, estabilidade acelerada, compatibilidade com embalagem, controle microbiológico, teste de eficácia do sistema conservante e avaliações de segurança antes de sua comercialização.

Referências Bibliográficas

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